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Esses dias assisti novamente o filme ” Estão todos bem” e senti uma necessidade imensa de escrever sobre as reflexões que o filme me gerou além das lágrimas, que foram muitas.

O filme é de 2009 ( caramba!) e é uma refilmagem de um clássico italiano de 1990, mas confesso que não me recordo de que ele tenha sido  um sucesso de público e crítica, nem tampouco de ter me causado tanta emoção quanto dessa vez. 

O motivo? Talvez seja pelo fato dele ser protagonizado pelo Robert de Niro que é meu ator favorito  no papel de um pai que vai em busca de mais conexão com os filhos. Talvez, porque há dois anos, eu não tenho mais o meu aqui comigo e agora entendo um pouco mais desse sentimento.

Se pensarmos na origem da palavra conexão, vemos que a  origem da língua no latim é CONNECTARE significa “atar junto” , “atar um ao outro”, “unir”.

O quanto de uma relação entre pais e filhos é capaz de nos unir para sempre? Depende? Sim, concordo que isso depende  da qualidade dessa relação, mas certamente, essas presenças  ( ou ausências, em muitos casos), deixam suas marcas em todos nós.

O personagem de De Niro, Frank, passou a vida trabalhando em uma empresa de cabos telefônicos. Isso mesmo, cabos que segundo ele, possibilitaram inúmeras conversas: longas e curtas, notícias boas e ruins,  uma geração de conversas e historias, sendo passadas ao longo daqueles cabos. O trabalho, segundo Frank, foi crucial para que ele provesse o sustento de seus 4 filhos para que eles realizassem seus sonhos.

Mas é justamente aí que acontece a grande virada do filme: os filhos  vivem cada um uma vida diferente das que eles acreditam que agradaria ao pai e por isso evitam passar tempo com ele, agora que a mãe, responsável pela união da família, faleceu.

Isso soa familiar? Acredito que grande parte das pessoas experimenta esse conflito. A gente imagina que há um ideal de filho, de sucesso,  e tenta correr atrás disso na ânsia de agradar ou pelo menos, de deixar nossos pais orgulhosos.

Eu pessoalmente vivi esse conflito e  talvez tenha sido também por isso que o tema mexeu tanto comigo: trabalhei durante um tempo em uma empresa da família, em um ramo totalmente diverso da Psicologia e claro que fui feliz, mas não realizada. Por isso decidi retornar para a minha área de desenvolver pessoas, onde me encontrei.

Mas isso  foi apenas uma parte do que fiz em busca desse reconhecimento. Uma delas foi o de buscar nada menos que a excelência em  tudo que busquei fazer, sejam cursos, trabalhos,  e isso foi ótimo em alguns sentidos, mas bem desgastante em outros, principalmente quando descobri que nem sempre atingirei esse ideal tão subjetivo.

Isso mesmo, porque a conclusão que cheguei é que para cada um de nós tem um ideal de felicidade, de excelência e de sucesso e é nessa particularidade que a nossa singularidade se mostra como possível de se realizar. Assim, o meu modo de ser feliz é totalmente diferente do modo de qualquer outra pessoa é isso deveria bastar para que a gente fosse em busca do nosso próprio caminho e se orgulhar dele.

Até porque, se você já viveu pelo menos um pouquinho sabe que com certeza, ninguém poderá percorrer a estrada da vida pela gente. E se conectar de verdade com o outro é entender esse paradoxo de que estamos atados para sempre as pessoas que são importantes para nós, mas ao mesmo tempo, somos livres e responsáveis pelo caminho que escolhemos trilhar.

Frank escolheu o que lhe fazia feliz, seus filhos precisavam acreditar que para seu pai a única coisa importante era que eles estivessem bem e felizes.

Quando entendemos  de verdade isso, podemos nos abrir para a verdadeira conexão e troca com o outro, e aí eu encerro com uma pergunta para voce: Como você tem se conectado com as pessoas?

Ah, uma curisodade sobre o filme: Frank sempre se comunica atraves de telefones fixos (os famosos e ultrapassados orelhões), já seus filhos, usam celulares, claro. 

Um beijo !

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Letícia Rodrigues


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